Alfredo Henrique

Senappen revela uso de drones térmicos, radares que identificam túneis e sistemas antidrones para modernizar 138 presídios-chave do país

Alfredo Henrique

21/10/2026 04:30

Créditos: Yuri Urbano / SENAPPEN-MJSP

Ao revelar uma ofensiva tecnológica do governo federal para enfrentar o crime organizado dentro das cadeias brasileiras, André Garcia, titular da Secretaria Nacional de Políticas Penais (Senappen), avalia que “o sistema penitenciário vivia meio que na Idade Média”.

Em entrevista exclusiva à coluna, o secretário detalhou a utilização de drones com visão térmica, equipamentos capazes de derrubar aeronaves usadas por criminosos e radares que identificam túneis escavados sob os presídios.

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Drone apreendido com espião de presídios em SP
Divulgação/ Deic
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Uso de tecnologia combate tecnologia usada clandestinamente por presos
Créditos: Marcus Ihan / SENAPPEN-MJSp
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Operação usa equipamento capaz de identificar sinais e dados de celulares dentro das unidades prisionais
Divulgação/MJSP
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Policial penal em ação
Créditos: Marcus Ihan / SENAPPEN-MJSp
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Policial penal procura equipamentos de comunicação
Créditos: Marcus Ihan / SENAPPEN-MJSp
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Após a detecção dos sinais, a Operação Mute atua na localização e retirada dos aparelhos identificados durante as varreduras
Divulgação/MJSP
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Divulgação/MJSP
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Divulgação/PCDF
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Material cedido ao Metrópoles
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Material cedido ao Metrópoles
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Divulgação/PF
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Drones levam armas, drogas e até armas para dentro de presídios
DGAP
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Após celulares serem inutilizados, policiais penais fazem varredura em presídio
Créditos: Yuri Urbano / SENAPPEN-MJSP
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Equipamento identifica sinais de celulares em penitenciárias
Créditos: Yuri Urbano / SENAPPEN-MJSP
O investimento, segundo Garcia, chega a quase R$ 300 milhões e busca modernizar a segurança de 138 unidades prisionais, espalhadas pelo país, nas quais se concentram cerca de 80% das principais lideranças de facções e milícias.
A estratégia é impedir que criminosos transformem os presídios em centros de comando de delitos praticados nas ruas.
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Drones contra drones
Uma das novidades é o uso de drones com sensores térmicos, capazes de identificar movimentações suspeitas mesmo durante a noite, além de ler placas de veículos e monitorar áreas a até dois quilômetros do perímetro dos presídios.
As imagens são georreferenciadas, permitindo portanto que policiais penais comparem o cenário de um dia com o seguinte.
Uma estrutura que aparece de repente, por exemplo, pode esconder a escavação de um túnel. A presença de pessoas em locais incomuns também pode indicar tentativas de introdução de drogas ou celulares nas unidades.
Os criminosos, de sua parte, também utilizam drones. Para enfrentar essas aeronaves, o governo adquiriu dispositivos antidrones capazes de forçar sua descida ou fazê-las retornar ao ponto de origem — permitindo, este último, localizar os operadores dos equipamentos, que podem com isso ser presos.
“Nossas penitenciárias federais tem essa tecnologia. Então, nós podemos prender quem está lá operando [o drone]”, afirmou Garcia.
Foram adquiridos seis sistemas do gênero, dos quais cinco destinados às penitenciárias federais e um móvel, para proteger escoltas de presos considerados de alto risco.
Tecnologia descobre túnel de dez anos
Outra novidade são os georradares, equipamentos que emitem ondas capazes de detectar alterações no subsolo e identificar possíveis escavações clandestinas.
Garcia relatou que, no Ceará, a tecnologia permitiu descobrir um túnel que estava havia dez anos em uma unidade prisional.
O arsenal também inclui aparelhos capazes de localizar celulares desligados, carregadores e redes clandestinas de Wi-Fi, além de pequenas câmeras utilizadas para inspecionar ralos e outros espaços de difícil acesso.
Segundo o titular da Senappen, os equipamentos estão sendo distribuídos aos estados, com prioridade para as 138 unidades identificadas pela inteligência penitenciária. “Com R$ 300 milhões, eu construiria dois presídios. Com R$ 300 milhões, eu estou equipando 138”, comparou.
A previsão é concluir a maior parte das entregas até o fim deste ano.
O Ceará também será utilizado como laboratório de inteligência penal, onde novas tecnologias serão testadas antes de sua eventual adoção em outros estados.
A iniciativa, segundo o secretário, busca fazer o sistema penitenciário acompanhar as transformações tecnológicas do próprio crime organizado.


