Pouca vergonha

Você já se pegou pensando no trabalho mesmo após o fim do expediente? Especialista explica como isso pode impactar a qualidade do sexo

Julia de Mesquita

17/10/2026 02:00

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Entre alguns dos motivos para a perda de intimidade e frequência sexual dos casais, está um dilema bastante comum: a dificuldade de se desligar do trabalho. Devido às pressões do ambiente e à correria da rotina, algumas pessoas sentem dificuldade de reservar, além de atenção genuína, tempo para manter a chama acesa.

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Ao Metrópoles, o especialista em inteligência emocional Rogério Silva afirma que isso é explicado pelo espaço que o trabalho ocupa na vida pessoas e pela forma que a sociedade encara o âmbito profissional.

“Muitos encerram o expediente, mas não encerram mentalmente o trabalho. Saem da empresa, porém, continuam levando os problemas, as cobranças, as metas e as preocupações para dentro de casa. Vivemos em uma sociedade que valoriza a produtividade e, muitas vezes, ensina as pessoas a produzir, e não a desacelerar”, destaca.
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O sexo é um dos pilares para uma vida saudável, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS)
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Uma vida sexual ativa e saudável tem impacto direto no bem-estar
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O prazer e o orgasmo liberam hormônios responsáveis pela diminuição do estresse e pela melhora do sono
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Segundo ele, é preciso reconhecer quando a relação passa a ser sobrecarregada pela tensão acumulada em outros espaços.
“Por isso, precisamos entender que estar fisicamente presente não significa estar emocionalmente disponível. Com o tempo, essa ausência pode comprometer a conexão do casal”, alerta.
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Sinais de alerta
Sabendo disso, Rogério elenca alguns sinais que merecem atenção:
- Mudança na qualidade do sexo;
- Parceiro mais irritado, impaciente e distante;
- Sensação de que o outro vê a intimidade como obrigação, e não como vontade genuína;
- Casamento parece empresa de logística: só existem contas, trabalho, criação dos filhos e organização da casa.
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A concentração também é afetada pela sensação de esogotamento
“Precisamos lembrar que a sexualidade não está desconectada das nossas emoções. O estresse pode dificultar o relaxamento, diminuir o desejo sexual e, em algumas situações, contribuir para dificuldades de excitação ou desempenho”, afirma.
Ainda assim, ele reforça que é importante saber que há uma série de outros fatores que influenciam — incluindo hormônios, psicológico e uso de medicamentos.
É possível resolver?
Para que ambos saibam estabelecer uma separação entre a vida profissional e a pessoal, o especialista coloca, em primeiro lugar, o reconhecimento de que cada área da vida precisa ter seu espaço.
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A intimidade e o sexo precisam ser nutridos por ambos
“Uma estratégia simples é criar um ritual de transição entre o trabalho e a vida pessoal. Pode ser tomar banho, caminhar, ouvir música ou reservar alguns minutos para organizar as pendências do dia seguinte”, aconselha.
Rogério ressalta ainda que isso não se trata de uma disputa de quem se sente mais cansado.
“Comunicação sem julgamento. Em vez de cobrar ou acusar, fale sobre suas necessidades. Em vez de interpretar o cansaço como falta de amor ou atração, procure compreender o que está acontecendo”, sugere.
Por último, ele deixa um lembrete fundamental: o sexo não deve parecer uma meta a ser cumprida — assim como as da rotina de trabalho. “O casal precisa recuperar o prazer de estar junto, sem pressão, respeitando os limites e o desejo de ambos”, conclui.


