O chefe do Instagram, Adam Mosseri, admitiu que a rede social ainda não sabe como combater uma nova onda de vídeos falsos criados por inteligência artificial (IA). O problema envolve perfis que utilizam personagens digitais para reproduzir conteúdos de artistas reais, principalmente comediantes, e até ganhar dinheiro com as publicações. Segundo o jornal britânico The Independent, a declaração ocorreu após denúncias de humoristas que tiveram suas apresentações reproduzidas por mulheres criadas por IA. Alguns desses perfis acumulam centenas de milhares de seguidores e direcionam o público para plataformas de conteúdo adulto, como OnlyFans e Fanvue. Em uma resposta pública ao comediante George Brett Olson, Mosseri afirmou estar "muito preocupado" com a tendência. O executivo também reconheceu que a empresa ainda procura uma solução para impedir esse tipo de apropriação de conteúdo. "Estamos tentando descobrir o que fazer. É um problema complicado", escreveu o executivo, em tradução livre. Como funcionam os vídeos falsos no Instagram? O problema ganhou repercussão após comediantes encontrarem vídeos nos quais personagens gerados por IA reproduziam suas piadas, incluindo falas, pausas e até detalhes das apresentações originais. Em um dos casos, George Brett Olson encontrou um vídeo de uma influenciadora virtual chamada Tiffany Sloane reproduzindo uma de suas apresentações. Segundo a revista WIRED, o conteúdo utilizava um cenário semelhante ao original e roupas parecidas com as do comediante. Na ocasião da investigação, o perfil de Tiffany já acumulava mais de 375 mil seguidores e divulgava uma conta no OnlyFans. Outro exemplo envolve Julia Jasunas, que teve uma de suas piadas reproduzida pela personagem virtual Aylen Skye, com aproximadamente 250 mil seguidores. Nesse caso, o perfil promovia conteúdos adultos na Fanvue, concorrente do OnlyFans que também permite a monetização de personagens criados por IA. A WIRED identificou oito comediantes que tiveram apresentações reproduzidas por perfis desse tipo. Algumas das versões artificiais conseguiram alcançar públicos maiores que os vídeos originais. Jasunas chegou a denunciar uma das publicações por falsidade de identidade, mas afirmou que o Instagram não identificou uma violação de suas diretrizes . Isso porque a personagem digital reproduzia o conteúdo da artista sem fingir ser ela. Embora sejam frequentemente chamados de deepfakes, os vídeos desse caso utilizam personagens inteiramente digitais. A prática difere da manipulação de imagens que reproduzem o rosto ou a voz de uma pessoa real sem autorização. Por que o Instagram não consegue impedir os vídeos? De acordo com Mosseri, uma proibição geral de conteúdos gerados por inteligência artificial seria inviável . O executivo argumenta que essas publicações estão cada vez mais difíceis de identificar e que nem todas representam problemas. O Instagram já oferece mecanismos para denunciar violações de direitos autorais, mas eles não resolvem todos os casos de apropriação de conteúdos, especialmente apresentações de humor e dança. O executivo reconheceu que muitos artistas não possuem registros formais de suas obras e defendeu a criação de mecanismos adicionais de proteção. Também citou a necessidade de evitar denúncias falsas utilizadas para prejudicar outros criadores. Apesar da declaração, a Meta já havia anunciado medidas para privilegiar conteúdos originais no Instagram. Em abril de 2024, a empresa informou que passaria a substituir republicações por vídeos originais nas recomendações do aplicativo. A regra, porém, prevê exceções para materiais significativamente modificados, incluindo dublagens e outras transformações. Esse critério ajuda a explicar uma das dificuldades atuais: os perfis denunciados utilizam uma nova personagem digital para apresentar conteúdos copiados, o que dificulta a identificação por sistemas que procuram vídeos idênticos. Até o momento, Mosseri não anunciou uma nova ferramenta ou regra específica para combater essa prática. IA e conteúdo adulto já preocupavam o OnlyFans O uso de personagens artificiais para atrair assinantes de plataformas adultas já era motivo de preocupação antes da atual polêmica. Em fevereiro de 2023, o Canaltech [object Object] . Na época, a popularização de ferramentas de geração de imagens levantava questionamentos sobre a venda de fotografias de pessoas que sequer existiam. Desde então, influenciadoras virtuais passaram a conquistar seguidores e a comercializar conteúdos exclusivos. Um exemplo é Aitana Lopez, modelo espanhola criada por IA que chegou a faturar milhares de euros com publicidade e trabalhos digitais, conforme [object Object] . A situação atual acrescenta um problema aos criadores de conteúdo: o uso de trabalhos produzidos por pessoas reais para promover personagens digitais e gerar receita para os responsáveis pelos perfis. Enquanto isso, o Instagram segue permitindo a publicação de materiais produzidos por inteligência artificial, desde que respeitem suas regras. A plataforma também utiliza rótulos para identificar conteúdos sintéticos, embora isso não impeça que vídeos artificiais reproduzam trabalhos de terceiros.

Perdido, chefão do Instagram diz que não sabe como combater deep fakes na plataforma
Perdido, chefão do Instagram diz que não sabe como combater deep fakes na plataforma · Imagem: Source: canaltech.com.br
Perdido, chefão do Instagram diz que não sabe como combater deep fakes na plataforma
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app do instagram e logo da meta · Imagem: Marcelo Fischer/Canaltech