O metabótipo, ou fenótipo metabólico, é o perfil químico detalhado de um organismo que resulta da expressão dinâmica dos seus genes em resposta ao meio ambiente. Ao contrário do genótipo, que permanece fixo ao longo da vida, este perfil é mutável e avaliado através da metabolómica, uma ciência que identifica e quantifica pequenos metabolitos (como aminoácidos, lípidos e açúcares) no sangue, na urina ou na saliva. Esta «impressão digital bioquímica» reflete o impacto cumulativo da genética, da idade, da dieta, do nível de atividade física, do stress, da medicação e, de forma muito vincada, da atividade metabólica da microbiota intestinal. Na transição da medicina convencional para a saúde de precisão, o conceito revolucionou a forma como compreendemos a variabilidade interindividual, agrupando a população em subgrupos com características bioquímicas semelhantes. Em termos práticos, a estratificação por metabótipos explica por que razão duas pessoas que consomem exatamente a mesma refeição ou o mesmo fármaco apresentam respostas biológicas, picos glicémicos ou efeitos secundários completamente distintos. Na prática clínica e na nutrição personalizada, este mapeamento permite identificar disfunções metabólicas silenciosas anos antes do aparecimento de sintomas clínicos, viabilizando intervenções preventivas direcionadas para travar o avanço de patologias crónicas complexas, tais como a obesidade, a diabetes do tipo 2, as doenças cardiovasculares e síndromes metabólicas.
Referências